Eduardo Leite pede a Lula mais ajuda para efeitos da chuva no RS
Governador alerta que previsão é de chuvas intensas nos próximos meses
Governador alerta que previsão é de chuvas intensas nos próximos meses
O governador do Rio de Grande do Sul, Eduardo Leite, foi recebido nesta quarta-feira (27), no Palácio do Planalto, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para discutir a situação no estado, que vive uma onda de eventos climáticos intensos causados pelo fenômeno El Niño, que provoca tempestades, alagamentos, ventania e outras intempéries.
Segundo Leite, o ciclo
de chuvas continuará intenso no estado ao longo dos próximos três meses, de
acordo com as previsões já apuradas.
"O que eu trago aqui ao presidente é a necessidade de
nós estarmos, mais do que nunca, muito próximos, governo federal, governo do
estado, assim como cada um dos municípios, para enfrentar tudo o que vem pela
frente. Não apenas a reconstrução do que se passou, como também estarmos juntos
para enfrentar o que vier, granizo, chuva, ventos, por conta desse fenômeno de
super El Niño, que vai recair especialmente sobre o Rio Grande do Sul, no
território brasileiro, com chuvas muito intensas ao longo dos próximos
meses", afirmou o governador a jornalistas, após a reunião.
Lula e Leite tiveram uma reunião reservada, que depois foi
ampliada com a presença de ministros, integrantes do governo estadual e de
parlamentares federais gaúchos. Em postagem numa rede social, Lula reafirmou o
apoio do governo federal ao Rio Grande do Sul. Ele também anunciou que uma nova
comitiva de ministros irá ao estado nesta quinta-feira (28) monitorar a
situação. O grupo deverá ser integrado pela primeira-dama Janja Silva.
"Desde o começo, o governo federal atuou e segue
atuando para atender as demandas locais, destinando estrutura e recursos
necessários para enfrentar as chuvas. Uma comitiva do governo federal voltará
nesta quinta-feira ao estado para fortalecer as ações em parceria com o governo
do estado e municípios. O Brasil sempre será solidário e o governo federal
atuante quando uma região do país enfrentar dificuldades, seja as chuvas em
excesso no Rio Grande do Sul, ou a queda no nível dos rios como no Amazonas,
que dificulta o abastecimento de cidades daquele estado", destacou o presidente.
No início do mês, o Rio Grande do Sul foi devastado pela
passagem de um ciclone extratropical, que deixou milhares de desabrigados e
dezenas de mortos. Entre as medidas de apoio, o presidente anunciou a concessão
de R$ 1 bilhão em empréstimos subsidiados por meio do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para ajudar empresas e negócios
afetados pelas chuvas, além da liberação do saque do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço (FGTS) para mais 354 mil trabalhadores com carteira assinada.
Sistema de alerta
Durante a reunião, Eduardo Leite pediu que seja implantado,
de forma prioritária no Rio Grande do Sul, um sistema de alerta de celulares
que interrompe o funcionamento do aparelho para mobilizar a população, em caso
de emergência.
"Aquilo que funciona em outros países e, aqui no
Brasil, começa a ser testado num projeto piloto, [são] alertas que interrompem
os celulares, não apenas SMS ou mensagem WhatsApp, mas interrompem os celulares
para alertar as pessoas", explicou.
Novos recursos
Além das medidas de retomada econômica, com a concessão de
crédito e acesso a fundos, o governador pediu também que o governo federal
disponibilize auxílio emergencial aos trabalhadores do estado, bem como
recursos que ajudem as empresas, inclusive as de grande porte, que paralisaram
as atividades, a pagarem o salário dos funcionários.
Outro ponto abordado na reunião pelo governador foi a
flexibilização de regras do Regime de Recuperação Fiscal (RRF). "Agora,
estamos sendo demandados excepcionalmente nos nossos orçamentos para atender
necessidade dos municípios", disse o governador. O RRF impõe uma série de
regras rígidas de gasto público para estados que possuem alta dívida com a
União.
Guaíba transborda
Após a cidade de Porto Alegre registrar o inverno mais
chuvoso em 62 anos, o nível do Lago Guaíba, que banha a capital gaúcha,
transbordou, ao chegar a 3,17 metros nesta quarta-feira, 17
centímetros acima do limite, na maior marca registrada desde 1941, quando
as águas chegaram a 4,75 metros no centro histórico, segundo a Prefeitura de
Porto Alegre.
Vídeos gravados por moradores mostram a água atingindo
calçadas, ruas e avenidas. Nesta quarta-feira, a Defesa Civil do Rio
Grande do Sul alertou 20 municípios para risco de inundações e outros
danos em razão de grandes volumes de chuvas.
A previsão é de temporais, descargas elétricas, eventual
queda de granizo, fortes ventos e grande quantidade de chuva, que podem causar
enchentes e outros danos. As chuvas podem chegar a 100 milímetros.
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