Haddad reafirma compromisso fiscal, mas aponta erosão de receitas
Em entrevista, ministro anuncia nomes para diretorias do Banco Central
Em entrevista, ministro anuncia nomes para diretorias do Banco Central
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ratificou o empenho do governo federal com o controle das contas públicas. “Vou buscar o equilíbrio fiscal de todas as formas justas e necessárias para que tenhamos um país melhor”, disse em entrevista coletiva em Brasília nesta segunda-feira (30).
Segundo o ministro, não há da parte do presidente [Lula] nenhum descompromisso, muito pelo contrário. Ele garantiu que “ninguém está aqui afrouxando nada, querendo contornar nada, omitir informação.”
Haddad, no entanto, admitiu que há erosão de tributos por
duas razões: em função do abatimento sobre a base de cálculo da Contribuição
Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e do Imposto sobre a Renda das Pessoas
Jurídicas (IRPJ), conforme permitido pela Lei Complementar nº 160, de 2017; e
por causa da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), também naquele ano, que
retirou da base de cálculo do PIS/Confins o Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) recolhido pelas empresas.
“Esse gasto tributário está em um patamar exagerado em
função dessas decisões que foram tomadas em 2017, e que a repercussão está
acontecendo agora”, afirmou o ministro. De acordo com ele, o abatimento sobre a
base de cálculo da CSLL e do IRPJ no ano passado foi de R$ 149 bilhões, e a
estimativa para este ano é de R$ 200 bilhões.
Quanto à decisão do STF, Haddad não informou o volume total
de recursos perdidos, mas citou como exemplo o caso de uma empresa fabricante
de cigarros que, com o veredito da Suprema Corte, ficou com crédito de R$ 4,8
bilhões que serão deduzidos de tributos que deveriam ser recolhidos. “Nós
queremos que a sociedade conheça esses números. Quem pagou esse imposto foi o
consumidor, e não é ele que está recebendo. Aí há um enriquecimento [do
fabricante] sem causa.” O ministro evitou citar o nome da empresa, mas disse
ter uma “agenda com o Supremo para corrigir essas distorções”.
Fernando Haddad assinalou que está buscando soluções junto à
presidência do STF e ao Congresso Nacional. “Preciso de apoio político, preciso
do Congresso, preciso do Judiciário. Tenho tido até aqui a colaboração tanto de
um quanto do outro.” O ministro revelou já ter tratado do problema de erosão
fiscal com o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, e com o presidente da
Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). “Isso é uma coisa que precisa ser
feita pelos Três Poderes; não é só a área econômica e o Executivo.”
Nos próximos dias, o governo deve realizar uma reunião com
os líderes dos partidos políticos no Congresso Nacional para apresentar os
números e propostas em estudo no Ministério da Fazenda. “Nós vamos levar
medidas ao governo para que os objetivos alcançados, independentemente desses
contratempos que foram apurados ao longo do exercício e que têm trazido a
erosão da base de cálculo dos tributos federais, mas precisa validar na
política as decisões que vão ser tomadas.”
Está em tramitação no Congresso a Medida Provisória nº
1.185, que dispõe sobre o crédito fiscal decorrente de subvenção para a
implantação ou a expansão de empreendimento econômico. De acordo com Haddad, a
iniciativa corrige essas distorções. “Tudo dando certo, 2023 vai ser o último
ano dessa enorme brecha que permite às empresas abater da base de cálculo
incentivos fiscais dados pelos estados.”
Banco Central
No início da entrevista coletiva, Fernando Haddad apresentou
os economistas que serão indicados para cargos de direção no Banco Central.
Paulo Picchetti, professor da Fundação Getulio Vargas, deve assumir diretoria
de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, no lugar de
Fernanda Guardado, e Rodrigo Teixeira, ex-funcionário da instituição, deve
ocupar a diretoria de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta, em
substituição a Maurício Costa de Moura.
Os indicados serão sabatinados no Senado Federal e precisam
ter o nome aprovado em plenário. Se aprovados, terão mandato fixo de quatro
anos, não coincidente com o do presidente da República. A lei permite eventual
recondução por mais um mandato de mesmo tamanho. A data da posse ainda não está
marcada.
Os novos diretores participarão do Conselho de Política Monetária (Copom), formado pelo presidente do Banco Central e oito diretores. Uma das atribuições do Copom é estabelecer a Selic, taxa básica de juros da economia.
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